Programa Justiça ao Jovem

 

Estados acatam sugestões do Justiça ao Jovem sobre internação de adolescentes infratores

08/08/2011 - 00h00

O Programa Justiça ao Jovem – criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em junho de 2010 para monitorar o cumprimento das medidas socioeducativas de internação aplicadas a adolescentes em conflito com a lei – já passou por 25 Estados, mais o Distrito Federal. Para todos eles, a equipe que integra o projeto elabora um relatório com as principais deficiências encontradas e propostas de melhorias. Muitos Estados já vêm adotando as sugestões do CNJ. O resultado é o empenho cada vez maior de esforços em prol do aperfeiçoamento do sistema socioeducativo do país.


Ontem, segunda-feira (08/08), o CNJ iniciou os trabalhos do programa Justiça ao Jovem em São Paulo, Estado que possui atualmente 8.277 adolescentes cumprindo a medida socioeducativa de internação, segundo a Fundação Casa – entidade responsável por administrar o sistema. O juiz auxiliar do CNJ, Reinaldo Cintra, coordenador do programa, explicou que o relatório feito ao final das visitas realizadas nas unidades de internação em cada Estado é encaminhado para as autoridades estaduais. “Nesse relatório apontamos tudo o que vemos e sugerimos algumas providências. É extremamente gratificante perceber que muito daquilo que sugerimos acaba sendo ouvido e executado”, afirmou.

Presídios e delegacias - O magistrado citou como exemplo o Estado de Minas Gerais onde foram encontrados adolescentes internados em delegacias ou presídios;  um claro desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Após a constatação e conversas com o Executivo de Minas Gerais, já temos notícias de que a redução de adolescentes no sistema penitenciário caiu para um terço do que era antes. Claro que o certo seria isso acabar, não adianta apenas diminuir (a incidência). Mas acho que é uma resposta significativa, que mostra a boa intenção do Estado”, disse Cintra.  

Outro Estado a acatar as sugestões, de acordo com o coordenador do programa Justiça ao Jovem, foi Santa Catarina. As inspeções do CNJ resultaram no fechamento da Unidade São Lucas, na comarca de São José. Os integrantes da equipe constataram a existência de agressões, humilhação e mesmo tortura contra os jovens internados.  O Estado do Espírito Santo também foi outro a adotar as sugestões do CNJ. “Após as visitas, algumas unidades estão sendo removidas e outras construídas. O Poder Judiciário está se reorganizando e readequando-se às necessidades, o que é excelente”, afirmou Cintra.

De acordo com ele, tem sido muito boa a resposta que o programa tem recebido dos estados. “Todos tiveram em menor ou maior escala algum impacto com as visitas e alguns pontos já estão sendo discutidos”, afirmou o coordenador do projeto.  Com a conclusão dos trabalhos em São Paulo, o CNJ vai elaborar um relatório nacional sobre  todo o sistema socioeducativo. “O objetivo é fazer uma radiografia do sistema, uma vez que não existem elementos em relação a essas medidas. Queremos, após essas visitas, elaborar um relatório nacional, para que esse trabalho dê subsídio tantos para o Judiciário como também para o Executivo, no que tange ao aprimoramento da execução da medida socioeducativa de internação”, explicou o coordenador do programa.  

Entrevista coletiva – Nesta terça-feira (09/08), em São Paulo, o coordenador do Programa Justiça ao Jovem, do CNJ, juiz Reinaldo Cintra, concederá entrevista à imprensa, às 16h, sobre o andamento das visitas a unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei naquele estado e as impressões observadas pela equipe ao longo dos dois primeiros dias. A coletiva será realizada no auditório do prédio do Departamento da Infância e Juventude (Deij), localizada na Rua Piratininga, nº 105, térreo.

 

Serviço
Coletiva sobre o Programa Justiça ao Jovem em São Paulo
Local: Auditório do Departamento da Infância e Juventude (Deij), localizado na Rua Piratininga, nº 105, térreo.
Horário: 16h

Giselle Souza
Foto/Fonte: Agência CNJ de Notícias  

 

 

Notícias

Som e imagem

  Hotéis e motéis não devem pagar por direitos autorais Por Everton José Rêgo Pacheco de Andrade   Por ser o direito autoral um conjunto de privilégios conferidos por lei a pessoa física ou jurídica criadora de obra intelectual, a utilização ou exploração de obras artísticas, literárias...

Só para maiores

  Juizados não podem julgar dano por cigarro Por Gabriela Rocha   Os Juizados Especiais não são competentes para julgar ações de indenização contra fabricantes de cigarro por danos causados pelo consumo do produto. Esse foi o entendimento adotado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal...

Impedimento ético

Advogado não pode atuar em causa em que atuou a favor da parte contrária como estagiário  (14.04.11) Há impedimento ético de que qualquer advogado trabalhe no patrocínio de causa em que atuou a favor da parte contrária como estagiário. A decisão é do Órgão Especial do Conselho Federal da...

Seguradora deve indenizar suicídio cometido dentro do prazo de carência

13/04/2011 - 19h39 DECISÃO Seguradora deve indenizar suicídio cometido dentro do prazo de carência A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por 6 votos a 3 que em caso de suicídio cometido durante os dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro de vida, período de...